Todos os artigos

Redução do pomo de Adão: como é a condrolaringoplastia

25/08/2026

Dra. Isabela Tavares Ribeiro — Otorrinolaringologista

Escrito e revisado por

Dra. Isabela Tavares Ribeiro

Otorrinolaringologista · Especialista em Laringologia e Voz

CRM-SP 173204RQE 71603Atualizado em 25/08/2026
Redução do pomo de Adão: como é a condrolaringoplastia
Neste artigo

A proeminência laríngea, popularmente conhecida como pomo de Adão, pode apresentar diferentes graus de projeção e ser mais evidente em algumas pessoas. Quando essa característica interfere na harmonia do contorno do pescoço ou causa desconforto com a própria aparência, pode surgir o desejo de suavizá-la.

Essa queixa é especialmente frequente entre mulheres trans. No entanto, o incômodo também pode estar presente em mulheres e homens cisgênero, de acordo com suas características anatômicas e preferências estéticas.

A condrolaringoplastia, também conhecida como redução do pomo de Adão ou raspagem do pomo de Adão, é o procedimento cirúrgico realizado para diminuir a projeção da cartilagem responsável pelo contorno anterior da laringe. A técnica pode integrar a cirurgia de feminização facial, conforme os objetivos e a indicação de cada paciente.

A Dra. Isabela Tavares, Otorrinolaringologista com atuação em Laringologia e Voz, em São Paulo, explica como a condrolaringoplastia é realizada, quais cuidados envolvem a cicatriz e a recuperação e por que o conhecimento detalhado da anatomia da laringe é fundamental para preservar as estruturas relacionadas à voz.

O que é a condrolaringoplastia

A condrolaringoplastia é a cirurgia realizada para reduzir a projeção anterior da cartilagem tireóidea, estrutura que forma o pomo de Adão. O próprio nome descreve o procedimento: “condro” se refere à cartilagem, “laringo” à laringe e “plastia” à remodelação cirúrgica.

A proeminência dessa cartilagem está relacionada ao desenvolvimento da laringe sob influência dos andrógenos, especialmente durante a puberdade. Quando esse contorno cervical é mais marcado, a condrolaringoplastia pode ser indicada para reduzir sua projeção, conforme a anatomia e os objetivos da paciente.

É importante diferenciar a mudança do contorno cervical das alterações da voz: a condrolaringoplastia tem como objetivo reduzir a projeção do pomo de Adão e, quando realizada adequadamente, não é destinada a modificar a frequência vocal.

Por isso, a cirurgia não tem como finalidade tornar a voz mais aguda. Quando existe o objetivo de modificar características vocais, a avaliação deve considerar técnicas específicas para a voz, de acordo com a anatomia da laringe e a indicação individual.

Condrolaringoplastia ou glotoplastia de Wendler?

Embora possam fazer parte de um mesmo planejamento cirúrgico, os dois procedimentos têm objetivos distintos. A condrolaringoplastia remodela a cartilagem para reduzir a projeção anterior do pescoço, enquanto a glotoplastia de Wendler atua diretamente nas pregas vocais para modificar características da voz.

Quando existe indicação para os dois procedimentos, eles podem ser realizados no mesmo tempo cirúrgico em casos selecionados. Essa possibilidade depende da anatomia da laringe, das condições clínicas da paciente e do planejamento da via aérea, além dos cuidados específicos exigidos por cada técnica.

Em determinadas situações, a realização em momentos diferentes pode ser mais adequada, especialmente quando um dos objetivos é prioritário ou quando a recuperação de uma cirurgia precisa estar concluída antes da próxima intervenção. Essa decisão deve considerar a segurança e a sequência mais apropriada para cada caso.

A avaliação com a Dra. Isabela Tavares permite esclarecer essas diferenças e definir qual planejamento cirúrgico é mais adequado para cada caso.

Para quem a cirurgia é indicada?

A indicação da condrolaringoplastia é individual e depende da anatomia da laringe, do grau de projeção da cartilagem tireóidea e do resultado esperado. A avaliação também permite estabelecer o quanto a cartilagem pode ser reduzida com segurança, considerando sua relação com as estruturas responsáveis pela voz.

Mulheres trans

Em mulheres trans, a redução do pomo de Adão pode ser considerada quando a proeminência da cartilagem representa uma característica cervical que a paciente deseja modificar. O objetivo é suavizar o contorno anterior do pescoço, proporcionando uma aparência mais feminina.

A decisão deve partir da própria paciente e ser discutida durante a avaliação médica. A terapia hormonal com estrogênio não costuma reduzir uma cartilagem laríngea que já se desenvolveu sob influência androgênica. Por isso, a proeminência pode permanecer mesmo após o início da hormonização.

Mulheres cis 

Algumas mulheres cis, principalmente as mais magras, podem apresentar uma proeminência laríngea aparente. No caso de desconforto estético associado, a condrolaringoplastia é uma excelente opção.

Homens cis

O incômodo estético relacionado ao pomo de Adão também pode afetar homens cisgênero. Após avaliação individualizada e alinhamento de expectativas, a condrolaringoplastia pode ser indicada.

Quando a cirurgia pode não ser indicada

A anatomia individual determina tanto a indicação quanto o limite da raspagem do pomo de Adão. Em pessoas com projeção discreta da cartilagem ou características cervicais que limitam a redução possível, o benefício esperado pode ser pequeno e deve ser discutido antes da decisão pelo procedimento.

Tabagismo ativo, doenças crônicas descontroladas, condições que interferem na cicatrização e histórico de cicatrizes hipertróficas ou queloides também precisam ser considerados antes da cirurgia. Esses fatores não determinam isoladamente a conduta, mas podem modificar o planejamento, os cuidados perioperatórios e o momento mais adequado para o procedimento.

Como é feita a cirurgia

A condrolaringoplastia costuma ser realizada por meio de uma pequena incisão horizontal, posicionada preferencialmente em uma prega natural do pescoço. Essa localização busca favorecer uma cicatriz menos perceptível ao longo do processo de cicatrização.

Existem também outras possibilidades de acesso, incluindo técnicas com incisão submentoniana ou por via intraoral. A escolha depende da anatomia da paciente, da experiência da cirurgiã e do planejamento do procedimento, considerando segurança, exposição adequada da laringe e resultado esperado.

Após o acesso, os tecidos são cuidadosamente afastados para expor a porção anterior da cartilagem tireóidea. Em seguida, a cartilagem é remodelada de forma controlada, respeitando os limites anatômicos necessários para preservar as estruturas relacionadas à função vocal.

Ao final, os planos cirúrgicos são reposicionados e a incisão é fechada por camadas. Na condrolaringoplastia, a quantidade de cartilagem removida é definida de acordo com a anatomia individual e com a segurança do procedimento, e não pela tentativa de realizar a maior redução possível.

Anestesia, tempo de cirurgia e internação

Em geral, a condrolaringoplastia é realizada sob anestesia geral. Em casos selecionados, outras estratégias anestésicas podem ser consideradas pela equipe, de acordo com a via de acesso, às condições clínicas da paciente e a realização simultânea de outros procedimentos.

Quando realizada isoladamente, a cirurgia pode durar aproximadamente de 40 a 90 minutos, embora esse tempo possa variar conforme a anatomia e a técnica empregada. Quando associada a outro procedimento, como uma cirurgia de voz, o período cirúrgico pode ser maior.

A permanência hospitalar costuma ser breve, com possibilidade de alta no mesmo dia ou no dia seguinte, conforme a evolução clínica. Essas estimativas servem apenas como referência, pois o planejamento e o tempo de recuperação devem ser individualizados para cada paciente.

Portanto, compreender previamente como ocorre a recuperação ajuda a organizar os primeiros dias após a cirurgia e a reconhecer quais cuidados precisam ser respeitados em cada etapa. A avaliação com a Dra. Isabela Tavares permite esclarecer o pós-operatório esperado e orientar o retorno progressivo às atividades.

Olá, vim do site da Dra. Isabela Tavares e gostaria de mais informações sobre condrolaringoplastia.

Pós-operatório da condrolaringoplastia: cuidados e evolução

A recuperação da condrolaringoplastia costuma ocorrer de forma progressiva, mas o ritmo varia conforme a extensão do procedimento, a resposta individual e a associação com outras cirurgias. Conhecer as etapas mais frequentes ajuda a organizar os cuidados e o retorno às atividades.

  • Primeiras 48 horas: inchaço, sensibilidade local e desconforto ao engolir podem ocorrer. A intensidade da dor varia entre as pacientes e deve ser controlada com os medicamentos prescritos pela equipe.
  • Primeira semana: os cuidados com a incisão e o curativo seguem a orientação médica. Movimentos amplos do pescoço e esforços físicos devem ser evitados até que a cicatrização inicial esteja adequada.
  • De 2 a 4 semanas: o retorno às atividades ocorre gradualmente. Exercícios físicos mais intensos e outras atividades que aumentem o esforço na região devem ser retomados apenas após liberação médica.
  • De 1 a 3 meses: o edema residual tende a diminuir progressivamente, permitindo observar com mais precisão o novo contorno cervical. A aparência das primeiras semanas ainda não corresponde ao resultado definitivo.

Quando a condrolaringoplastia é realizada isoladamente, não costuma ser necessário repouso vocal, já que o objetivo do procedimento não é modificar diretamente as pregas vocais.

Se houver associação com uma cirurgia de voz, as orientações sobre repouso vocal seguem o protocolo específico deste procedimento. Por isso, o pós-operatório deve ser planejado de acordo com todas as intervenções realizadas e com a evolução observada nas consultas de acompanhamento.

Cicatriz, riscos e segurança no procedimento

Além do resultado no contorno do pescoço, o planejamento da condrolaringoplastia precisa considerar a cicatrização, os riscos inerentes à cirurgia e a preservação das estruturas responsáveis pela voz. Esses aspectos dependem da anatomia individual, da técnica utilizada e dos limites seguros de redução da cartilagem.

A cicatriz após a condrolaringoplastia

Toda incisão externa deixa cicatriz. O objetivo da cirurgia é que ela fique discreta, e não que seja inexistente. Prometer uma cicatriz invisível não seria adequado.

Alguns fatores favorecem um resultado mais discreto, como o posicionamento da incisão em uma prega natural, o fechamento por planos, a proteção solar e os cuidados orientados durante a cicatrização. Outros dependem da resposta individual, incluindo tendência a cicatrizes mais espessas e tabagismo.

O acesso por via intraoral evita uma cicatriz externa, mas não é indicado para todas as anatomias. A possibilidade de utilizar essa técnica deve ser definida após avaliação individual e de acordo com o planejamento cirúrgico.

Riscos da cirurgia

Como qualquer procedimento cirúrgico realizado no pescoço, a condrolaringoplastia apresenta riscos que precisam ser discutidos antes da decisão pelo tratamento:

  • Hematoma e inchaço.
  • Infecção.
  • Alteração temporária da sensibilidade da região.
  • Cicatriz alargada ou espessada.
  • Complicações relacionadas à anestesia.

Limites da redução da cartilagem e preservação da voz

A inserção anterior das pregas vocais se relaciona intimamente com a face interna da cartilagem tireóidea, na região da comissura anterior. Essa proximidade anatômica estabelece um limite importante durante a remodelação da cartilagem.

Uma redução que ultrapasse esse limite pode comprometer a inserção ou a tensão das pregas vocais e provocar alterações indesejadas na voz. Por isso, o planejamento cirúrgico deve priorizar a redução possível sem comprometer estruturas envolvidas na função vocal.

Dessa forma, o objetivo da condrolaringoplastia não é remover a maior quantidade possível de cartilagem, mas alcançar um novo contorno dentro dos limites anatômicos seguros. A experiência em Laringologia é particularmente relevante para reconhecer essas estruturas e preservar sua função durante o procedimento.

Avaliação com a Dra. Isabela Tavares

A Dra. Isabela Tavares é Otorrinolaringologista, formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com Residência Médica em Otorrinolaringologia pela UNISA-SP e Fellowship em Laringe e Voz pela EPM/UNIFESP. Atualmente, é Doutoranda em Ciências da Saúde pela UNIFESP.

Sua atuação é concentrada em Laringologia, Voz e cirurgias da voz, com experiência em procedimentos que envolvem a anatomia da laringe e a modificação do contorno cervical. Entre as técnicas realizadas estão a condrolaringoplastia e a glotoplastia de Wendler, conforme a indicação de cada paciente.

A Dra. Isabela Tavares também atua no acompanhamento de mulheres trans que buscam procedimentos relacionados à feminilização da voz e do contorno cervical. Nesses casos, o planejamento considera os objetivos individuais, a anatomia da laringe e a possibilidade de realizar intervenções isoladas ou combinadas.

Durante a consulta, são avaliados a anatomia da laringe, o contorno do pescoço, a projeção da cartilagem tireóidea e as características da voz. A partir desses dados, é possível definir a indicação cirúrgica, os limites seguros da redução e a necessidade de outros procedimentos.

A avaliação também permite diferenciar objetivos relacionados ao contorno cervical daqueles relacionados à voz. Quando existe indicação para mais de uma intervenção, o planejamento considera a segurança, a anatomia e o período de recuperação de cada procedimento.

Agende sua consulta

A avaliação individual permite compreender se a condrolaringoplastia é indicada e quais resultados podem ser esperados de acordo com a anatomia e os objetivos de cada paciente.

Consulte a Dra. Isabela Tavares para avaliar as possibilidades cirúrgicas e definir um planejamento adequado para o seu caso.

As informações fornecidas neste texto são apenas para fins informativos e educacionais e não substituem a consulta médica. Sempre procure orientação médica para diagnóstico e tratamento adequados.

🏥 Endereço: Av. Angélica, 2466, cj 34 – Higienópolis, São Paulo.

📞Agende a sua consulta: (11) 92191-2466

Para mais informações, siga a Dra. Isabela Tavares nas redes sociais:

Conteúdo atualizado em 2026.

Isabela Tavares Ribeiro I Otorrinolaringologia I CRM-SP 173204 I RQE 71603

FAQ – Dúvidas frequentes sobre Redução do pomo de Adão: como é a condrolaringoplastia

1. Condrolaringoplastia dói no pós-operatório?

A dor costuma ser leve a moderada e controlada com analgesia comum. O que mais incomoda nos primeiros dias é o inchaço e um desconforto ao engolir, que tende a melhorar ao longo da primeira semana.

2. A cicatriz fica visível?

O objetivo é uma cicatriz discreta, não invisível. Quando a incisão fica em uma prega natural do pescoço, ela tende a se disfarçar com o tempo. O acesso por dentro da boca evita cicatriz externa, mas não serve para toda anatomia.

3. Quanto tempo dura a recuperação da raspagem do pomo de Adão?

As atividades leves costumam voltar em poucos dias, e as intensas, após avaliação, em algumas semanas. O inchaço residual pode levar de 1 a 3 meses para se resolver, e é quando o contorno final aparece.

4. A condrolaringoplastia pode mudar a voz?

A cirurgia trata o contorno do pescoço e não é feita para mudar a voz. Existe um risco vocal se a redução avança além do ponto seguro, e é justamente por isso que ela deve ser feita por quem conhece a laringe por dentro.

5. É possível fazer glotoplastia e redução do pomo de Adão na mesma cirurgia?

Em muitos casos, sim, quando há indicação para as duas e o planejamento da via aérea permite. A vantagem é uma anestesia e um único pós-operatório. Em outros casos, separar é mais adequado, e isso se define no exame.

6. Qual anestesia é usada na condrolaringoplastia?

Na maioria dos casos, anestesia geral. Em situações selecionadas, sedação com anestesia local. A escolha é da anestesista e da cirurgiã, considerando a via aérea e se há um procedimento combinado.

7. Mulher cis pode fazer redução do pomo de Adão?

Pode. Quando o pomo de Adão fica muito aparente, pode causar desconforto estético, principalmente em mulheres mais magras. A cirurgia suaviza o contorno cervical.

8. O pomo de Adão pode crescer de novo depois da cirurgia?

A cartilagem reduzida não volta a crescer por conta própria em uma pessoa adulta. O contorno tende a se manter estável, e o resultado é avaliado após a resolução do inchaço dos primeiros meses.

9. Quanto tempo dura a cirurgia de condrolaringoplastia?

Quando isolada, costuma durar entre 40 e 90 minutos, aproximadamente. Combinada com a cirurgia de voz, o tempo é maior. São faixas de referência, que variam conforme cada caso.

10. Quando posso voltar a trabalhar depois da condrolaringoplastia?

Depende do tipo de trabalho e da evolução individual. Trabalhos que demandam atividades leves costumam ser retomados em poucos dias, enquanto aqueles que demandam esforços mais intensos podem precisar de maior tempo de afastamento.

Precisa de avaliação especializada?

Agende uma consulta com a Dra. Isabela Tavares e receba um cuidado personalizado para sua saúde vocal.

Agendar consulta pelo WhatsApp
Agende sua consulta